Nos anos 1950, prosas e crônicas tentavam trazer um pouco da emoção da cobertura de futebol no rádio às páginas da imprensa escrita, tendo em um dos seus maiores expoentes, Nelson Rodrigues. Nos anos 60 e 70 a demanda se transformou! Com o estabelecimento da televisão, o esporte foi ficando cada vez mais desmistificado. Um gol de cabeça não poderia mais ser narrado como um gol de voleio. O estilo de narração e relato das partidas foi lapidado e lentamente incorporou uma maior carga informativa.
A partir dos anos 80 aos 90, “a precisão ganhou espaço e tornou o esporte quase frio”, afirmam os pesquisadores da comunicação Heródoto barbeiro e Patrícia Angel, no livro Manual do Jornalismo Esportivo. Os fãs do futebol passaram a exigir menos deslumbramento e mais análises, números, carga informativa. Fato lamentado pelo jornalista e blogueiro Paulo Vinicius Coelho, bastante conhecido como PVC, no livro Jornalismo Esportivo , em que conta sua experiência no ramo. Ao analisar a volta do atacante Ronaldo em 2002, o jornalista afirmou: “Toda a imprensa estampou os feitos do Fenômeno, em relatos repletos de… realidade! Realidade demais para história tão irreal”. Ainda sobre a frieza da cobertura esportiva na década de 90, PVC completa: “Nos relatos sobre o tetra e o pentacampeonato faltou a dramaticidade que sobrava nas coberturas das campanhas de 1958, 1962 e 1970. Talvez tenha faltado simplesmente Nelson Rodrigues”. Uma vez que PVC é um dos jornalistas de futebol mais enciclopédicos da atualidade, e até da história, no futebol brasileiro, não é necessário grande reflexão para entender que a crítica se refere justamente ao apagamento da emoção, não a conferir carga informativa. Há também espaços, estratégias discursivas criadas para abrigar ambos de forma não conflituosa.
Hoje, no entanto, segundo Barbeiro e Rangel, a imprensa tem a informação e emoção bem caracterizada de ceículo para veículo. Ratifico a afirmação deles de que isso acontece, ou pelo menos uma pluralidade que pende mais para uma ou outra. É o que defende PVC e o blogueiro Zini: Na linha textual do meu blog eu procuro unir o estilo da crônica com a informação. Um blog te dá essa liberdade! Nunca fazer a crítica pela crítica, ela necessita de um embasamento. Não é dizer que o jogador A ou B foi mal. É dizer que ele foi mal por conta disso, disso e daquilo. É trazer informações, números do rendimento para sustentar a opinião”, afirma o jornalista gaúcho.
No geral, a busca pelo meio termo é uma abordagem popularmente conferida nas diferentes mídias, seja ela a televisão, internet, impresso ou rádio. No blog a coisa muda de figura, é um espaço que predomina a opinião até para “quebrar a informação obejtiva”, como coloca Zini que mantém uma coluna informativa no jornal Zero Hora.
De 10 de julho a 10 de agosto, para o Arquibancada Virtual, de 12 posts analisados, predominantemente 7 são opinativos, 3 informativos e 2 uma mistura. No Blog do Zini, dos 58 posts: 53 opinativos, 2 informativos e 3 misturando. No Girando a Bola são todos essencialmente opinativos. Para o Blog do Mauro são 71 posts opinativos e apenas 2 essencialmente inforamtivos. O único que difere é o Futebol, Coisa & Tal…, predominantemente informativo com 33 posts informativos contra 24 opinativos e 5 onde há uma equivalência. Dados que comprovam o grande espaço da opinião nos blogs, mas particularizados. Isso vai variar da linha que cada blogueiro aplica a seu produto, podendo ocorrer o inverso como no blog de Gilmar Ferreira.
Mas, também proliferou a pluralidade de formatos de linguagem. Em cada blog é possível identificar uma linha editorial predominante. Destaco isso como uma das maiores vantagens para quem se informa de futebol através de blogs: pluralidade de escolha.
A linha norteadora dos blogs varia. De acordo com uma classificação criada pelo antropólogo Luiz Henrique de Toledo, profissional que realizou um estudo atual analisando diversos significados culturais do futebol, há três categorias do comentarista de esporte: a do discurso emocional afinado com o domínio do torcedor (bastante praticado pelo Blog do Mauro e pelo Blog do do Zini), a que se dedica às polêmicas estritamente técnicas (destaque para Blog do Mauro, Girando a Bola e Futebol Coisa & Tal…) e aquela que enfatiza os aspectos políticos do futebol (destaque para Arquibancada Virtual e Futebol Coisa & Tal…).
No próximo post um pouco sobre a paixão clubística do jornalista/blogueiro. Deixo vocês com as referências para consulta dos livros citados aqui nesse post.
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BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia. Manual do Jornalismo Esportivo. São Paulo: Contexto, 2006.
COELHO, Paulo Vinicius. Jornalismo esportivo. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2008.