Um blog sobre futebol pode ter natureza somente informativa. Porém, nesse caso, teria o potencial muito mal explorado, não diferindo muito dos portais noticiosos que se tem por aí.
Não é nenhuma novidade que no futebol cada um defende seu ponto de vista, quanto a regras, atuações dos jogadores, tática a ser adotada, etc. O futebol abre brecha para diversas interpretações distintas. É só notar os programas de debates esportivos que se entendem até altas horas no domingo à noite em que, não raro, os comentadores não chegam a opiniões consensuais. Isso dá pano pra manga para diversas discussões no trabalho, nas praças, nos botecos.
E não se trata apenas de atuações e táticas de campo. Quando se aborda os bastidores do espetáculo, as críticas e caminhos a serem explorados pelos comentaristas do esporte são tão plurais quanto. Logo mais, alguns exemplos de como isso é trabalhado nos blogs.
A grande jogada do jornalista de esporte em ter o blog pessoal é ultrapassar a barreira do asceticismo imposto nas redações e extravasar as opiniões entaladas na garganta. Isso, claro, de forma contida, embasada e responsável, unindo o subjetivo com a descrição de aspectos objetivos, não só apontando as mazelas como também contribuindo com reflexões para o fim delas. Ao cair no achar por achar, no gosto pessoal ou na mera exaltação de algo ou alguém, a opinião não acrescenta muita coisa.
Todos os blogs analisados praticam um jornalismo crítico embasado. Há uma forte presença de opinião, e nos comentários a coisa só cresce (aí já sem um controle de qualidade da crítica postada. Embora haja filtros de ruído para os comentários, que veremos em um post futuro). Bem como é possível abrir espaço para temas que não entraram na pauta dos veículos diários.
No Blog do Zini, separei exemplos de pautas não abordadas no jornalismo do dia-a-dia que ganham espaço. Uma crítica ao marketing do Gre-nal dos Cem Anos, por exemplo. O jogo que comemora os cem anos do derby porto-alegrense foi marcado por uma passividade da diretoria de marketing dos dois clubes, que não fizeram nenhuma ação promocional diferente para gerar renda para os clubes em cima do importante clássico. Outra crítica do Zini, uma notícia que se repete de tempos em tempos nos veículos de comuniação, foi quanto à violência nos estádios. Mas não parou aí. O blogueiro ampliou a reflexão crítica para todas as dificuldades que engloba o cidadão deixar o conforto da transmissão televisionada de uma partida para ir aos estádios. Incluindo aí a condição física dos estádios, o despreparo das bilheterias, dificuldades em estacionar o veículo ou pegar transporte coletivo, preços abusivos, etc (leia aqui).
Para citar mais um exemplo fora do blog gaúcho, o Arquibancada Virtual também apontou em tom de reprovação uma troca de bombas no estádio no Atletiba de julho. Criticando a torcida pelo comportamente irresponsável e o policiamento que deixa passar as bombas na revista. O quê rendeu comentários que completavam a crítica com depoimentos, e até com um conteúdo em vídeo, aprofundando o relato das dificuldades que a torcida enfrentou com a falta de estrutura e agilidade dos policiais e seguranças do estádio para conduzir a entrada da torcida adversária no estádio do Atlético/PR. Segue alguns comentários selecionados:
ANGELO | 20/07/2009 | 01:23 (conteúdo de vídeo alertando para a dificuldade na entrada)
http://www.youtube.com/watch?v=DPQerebYQiw Chinfrim é dizer que isto é estádio de Copa. sorte que com o tempo logo todos saberão que jamais vai haver copa em 2014
Darlan | 20/07/2009 | 10:04 (complementação da informação da revista mal feita)
atleTiba ruim,dia ruim…e a meiuca da tabela…A revista que a policia faz é:”Policial: -Levanta os Braços.bate debaixo do braço,nos bolsos e na altura da meia.Policial: -Vai”.Nao existe revista…So nao entra em jogo com faca e revolver…o resto,tudo passa.E os vandalos cotinuam a queimar a cara das torcidas…Vergonha!
Diego Pinheiro | 20/07/2009 | 13:23 (depoimento corroborando o tumulto na entrada)
O resumo do jogo foi isto ai… poucas chances e um 0×0 sem graça… Leonardo, quanto à segurança, a revista na entrada do estádio não é feito pela polícia, e sim pelos próprios seguranças do atlético… um outro detalhe: você reparou como é feita a divisão de torcidas na baixada? apenas cordas e grades removíveis (essas de apenas organizar filas), e meia dúzia de seguranças em volta… sinceramente, porque não existe uma divisão mais concreta, como uma grade fixa e fechada de visão???
O próximo post deve entrar em breve, e vai abordar episódios onde os blogs não deram conta de exercer esse jornalismo crítico, apenas caindo na crítica rasa, pelo gosto. Um terceiro post deve abordar a questão da complementaridade noticiosa da audiência, já demonstrada superficialmente aqui no fim deste post. Fique ligado!